25/5/2004 08:10
Um governador que falta com a verdade
Por Joyce Carla Diniz
O governador João Alves Filho faltou com a verdade na manhã de ontem, no Palácio de Veraneio, quando tentou fazer com que uma medida injusta (a devolução do salário cortado dos professores) fosse vista como um símbolo da boa vontade do governo pefelista. Depois do atraso de quase uma hora, do tempão falando sobre projetos não concretizados e de deixar em pé as pessoas que foram ouvir a proposta do Governo para dar fim à greve dos professores, o governador declarou o que importava em menos de cinco minutos. "Vamos devolver o corte dos professores que ganham até R$ 600,00, confiando que a reposição das aulas será feita".
A falta com a verdade do governador, e que o CINFORM Online já apurou, foi o fato de ele ter afirmado que Sintese não procurou o Governo para negociar a questão nenhuma vez este ano. Este veículo de comunicação levantou junto à Diretoria do sindicato e confirmou a inverdade do que disse o governador. O Sintese disponibilizou documentação que prova que, somente no mês de maio de 2004, o sindicato enviou três ofícios ao Governo ? um ao secretário de Comunicação, Carlos Batalha, e dois diretamente para o governador João Alves Filho. No ano de 2004, foram oito ofícios enviados para o Governo de Sergipe. Nenhum deles respondido.
Felizmente, após a mediação do Conal, da Umese e de alguns parlamentares, o Governo deu, na noite de ontem, uma proposta mais racional. Todos os professores com salário de até R$ 1 mil (e não mais R$ 600,00) receberão integralmente o valor que foi cortado do salário nos dias paralisados. Acima desse valor, será ressarcido após confirmação do calendário de reposição das aulas.
Mas as dúvidas sobre o discurso do chefe do executivo estadual não param por aí. A frase "Eu não costumo falar de meus antecessores", dita por João Alves, retira o crédito do que o governador venha a dizer ? gastou grande parte do seu discurso acusando Albano Franco por problemas que hoje ele administra. Além do que, por que o governador cortou os pontos de forma tão aleatória se, como ele próprio afirmou, cerca de 80% dos professores estão em atividade? Talvez porque não sejam 80% dos professores que estejam trabalhando de fato durante greve.
Questões como estas e como os projetos grandiosos que nunca ficam prontos fazem com que os eleitores sergipanos fiquem cada vez mais incrédulos nas palavras do governador. João Alves disse que encontrou 330 mil analfabetos em Sergipe, que seu Governo vai alfabetizar 200 mil destas pessoas e que, para isto, vai contar com Instituto Ayrton Senna e que já teria, inclusive, falado com a Viviane Senna, irmã do piloto Ayrton Senna. Claro que espera-se que o Instituto Ayrton Senna venha mesmo para Sergipe e, em mais alguns anos, erradique o analfabetismo do Estado. Mas, até lá, deve-se esperar sentado (diferente de ontem de manhã, quando centenas esperaram de pé o governador).